Esta história foi contada quando estávamos no Bar do Barriga, dialogando depois de algumas cervejas.
Tinha tudo pra ser mais um típico dia de trabalho, mas não foi! A escolha da trilha sonora do departamento já denunciava que algo iria fazê-los rir mais que o normal. Sim porque, quem teria paciência para ouvir a coletânea inteira - sem intervalos - da carreira de Sandy e Junior? Com direito a coreografia da música “ Dig-dig-joy, dig-joy-popoy , vem brincar comigo”. Eu sei que você deve estar se perguntando que tipo de empresa é essa?! Mas eles trabalham desse jeito e produzem muito, viu!
A cada canção de Sandy e Junior uma Amiga - vamos chamá-la assim para preservar sua identidade, embora ela não mereça - confidenciava que lembrava de algum amor do passado. A questão caro leitor, é que ela dizia isso pra todas as músicas. Como alguém pode ter amado tanto?!
Durante alguns desses comentários, alguém pediu para ela contar algumas destas paixões, e ela contou algo mais ou menos assim:
“... Uma vez, há muito tempo atrás, eu estava caminhando pela minha rua distraída quando de repente dei de cara com um rapaz lindo: moreno, alto, forte, rosto com traços marcantes, um sorriso encantador e um belo par de olhos azuis. Uma beleza que não dava para passar despercebida. Fiquei completamente fascinada ele também, nos olhamos de uma maneira intensa e sem saber ao certo o que fazer continuei andando.
Tive receio de não voltar a vê-lo, mas esse temor foi embora quando dois dias depois ele estava no mesmo horário e no mesmo lugar realizando o seu trabalho. Com a vassoura na mão, lá ia ele varrendo o lixo que os cidadãos - que não são cidadãos - jogam em vias públicas.
Lembro-me que acordava cedo para vê-lo, e ficávamos nos olhando e sem coragem de se quer dar bom dia. Uma timidez absoluta. Eu ficava ensaiando o que dizer para ele em frente ao espelho, mas nunca tive coragem de falar.
Uma vez passei muito perto dele e quase puxei assunto dizendo; “E ai? Varrendo muito?”. Eu sei é péssimo, ainda bem que não falei. Nos olhamos por muitos meses, e por ficar esperando o momento certo, a oportunidade não surgiu, ou até tivemos muitas, mas não aproveitamos. Até que um dia, ele não apareceu mais para varrer minha rua...”.
Muito antes de ela terminar de falar, o pessoal do departamento caiu na gargalhada, pessoas dos outros setores vieram saber qual era o motivo de tanta graça. Nem ela mesma entendeu! Talvez a graça estivesse na maneira como ela contou a história, ou será que a graça era ela ter se apaixonado pelo gari?
A percepção que tive depois que paramos de rir, é que o preconceito é algo muito mais intrínseco do que as pessoas pensam, ou será que a graça teria sido a mesma se ela tivesse dito que ele é era um advogado?
Por: Claudiane Rocha


2 comentários:
O texto é muito bom... bem como seus outros textos, suas composições, etc. Parabéns! Você é uma grande artista!
Bjs
Rê
Realmente fiquei estarrecida com a história!!!
Como alguém pode ter Sandy e Junior como trilha sonora da vida??!! tsc, tsc...
Bjk
Camila.
Postar um comentário