segunda-feira, 24 de maio de 2010

Quem vê crachá não vê coração

Esta história foi contada quando estávamos no Bar do Barriga, dialogando depois de algumas cervejas.


Tinha tudo pra ser mais um típico dia de trabalho, mas não foi! A escolha da trilha sonora do departamento já denunciava que algo iria fazê-los rir mais que o normal. Sim porque, quem teria paciência para ouvir a coletânea inteira - sem intervalos - da carreira de Sandy e Junior? Com direito a coreografia da música “ Dig-dig-joy, dig-joy-popoy , vem brincar comigo”. Eu sei que você deve estar se perguntando que tipo de empresa é essa?! Mas eles trabalham desse jeito e produzem muito, viu!

A cada canção de Sandy e Junior uma Amiga - vamos chamá-la assim para preservar sua identidade, embora ela não mereça - confidenciava que lembrava de algum amor do passado. A questão caro leitor, é que ela dizia isso pra todas as músicas. Como alguém pode ter amado tanto?!
Durante alguns desses comentários, alguém pediu para ela contar algumas destas paixões, e ela contou algo mais ou menos assim:

“... Uma vez, há muito tempo atrás, eu estava caminhando pela minha rua distraída quando de repente dei de cara com um rapaz lindo: moreno, alto, forte, rosto com traços marcantes, um sorriso encantador e um belo par de olhos azuis. Uma beleza que não dava para passar despercebida. Fiquei completamente fascinada ele também, nos olhamos de uma maneira intensa e sem saber ao certo o que fazer continuei andando.
Tive receio de não voltar a vê-lo, mas esse temor foi embora quando dois dias depois ele estava no mesmo horário e no mesmo lugar realizando o seu trabalho. Com a vassoura na mão, lá ia ele varrendo o lixo que os cidadãos - que não são cidadãos - jogam em vias públicas.

Lembro-me que acordava cedo para vê-lo, e ficávamos nos olhando e sem coragem de se quer dar bom dia. Uma timidez absoluta. Eu ficava ensaiando o que dizer para ele em frente ao espelho, mas nunca tive coragem de falar.
Uma vez passei muito perto dele e quase puxei assunto dizendo; “E ai? Varrendo muito?”. Eu sei é péssimo, ainda bem que não falei. Nos olhamos por muitos meses, e por ficar esperando o momento certo, a oportunidade não surgiu, ou até tivemos muitas, mas não aproveitamos. Até que um dia, ele não apareceu mais para varrer minha rua...”.

Muito antes de ela terminar de falar, o pessoal do departamento caiu na gargalhada, pessoas dos outros setores vieram saber qual era o motivo de tanta graça. Nem ela mesma entendeu! Talvez a graça estivesse na maneira como ela contou a história, ou será que a graça era ela ter se apaixonado pelo gari?
A percepção que tive depois que paramos de rir, é que o preconceito é algo muito mais intrínseco do que as pessoas pensam, ou será que a graça teria sido a mesma se ela tivesse dito que ele é era um advogado?


Por: Claudiane Rocha

2 comentários:

Anônimo disse...

O texto é muito bom... bem como seus outros textos, suas composições, etc. Parabéns! Você é uma grande artista!

Bjs

Camis disse...

Realmente fiquei estarrecida com a história!!!
Como alguém pode ter Sandy e Junior como trilha sonora da vida??!! tsc, tsc...

Bjk

Camila.

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